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BOV e SPX
FEV 16, 2004 A seqüência relatada no último
comentário (3-DDs e 1 DD em seqüência) foi quebrada
por um DCB no pregão de hoje (16/02). O volume foi estupidamente
elevado num pregão de vencimento do índice futuro do Bovespa,
tendo sido superado apenas pelo pregão de 15/12 passado e, antes
desse, somente pelo de 13/01/2000. O número de negócios
foi o terceiro maior da história da bolsa.
Em geral o padrão de volume numa tendência, quer seja
de alta ou de baixa, consiste em um aumento no início, em um
recuo no meio e em um novo inchaço no final. Em outras palavras,
volumes muito acima do padrão numa tendência "velha",
como é a atual, é um sinal para se botar as barbas de
molho, pois os compradores encontraram finalmente players dispostos
a entregar a mercadoria, e de forma agressiva, pois o mercado não
tem andado para cima apesar dos volumes.
Como os volumes recentes foram significativamente robustos (sem que
o mercado tenha andado) é possível que, caso o mercado
caia forte, ele volte a reagir para então finalizar a tendência
de alta. Volumes muito fortes revelam por um lado alta ansiedade na
compra, e os compradores atuais poderão encarar uma queda como
uma nova e atraente oportunidade de compras.
As divergências negativas permanecem, mas tem um outro item fora
do esquadro, além dos elevados volumes, e que não combina
com a hipótese de topo de imediato e que consiste no forte aumento
das posições alugadas tanto de Telemar PN quanto no geral.
Quem aluga um papel é porque tem a intenção de
vendê-lo apostando em uma baixa.
O atual volume alugado de Telemar, 8,8 K, somente é comparado
com o de 25/11/04 quando atingiu 8,1 K. Após o final de novembro
do ano passado, o BOV ainda conseguiu mais uma perna de alta, embora
sem volume. Em geral não se vê em topos volumes de aluguéis
tão expressivos como os atuais.
O padrão que venho observando nos aluguéis é de
um aumento forte durante no meio de uma tendência de baixa, um
aumento ainda maior quando o mercado se encontra nos estágios
inicias de uma reversão altista e um recuo nas proximidades de
um topo. O recuo aumenta no estágio inicial do movimento de baixa
que se segue, para então aumentar no meio do movimento de baixa
e o ciclo se fecha. O aumento do volume alugado, portanto, não
combina com um topo definitivo no momento.
Essa perspectiva bate com a idéia de que volumes muito elevados,
embora sem que o mercado tenha andado (bearish), revelam ansiedade na
compra e que possivelmente os otimistas não largarão a
rapadura tão cedo.
Em resumo, temos um mercado doméstico se deteriorando a olhos
vistos, mas o script de um topo importante ainda não está
completo, pelo menos dentro do seu ideal. Caso o mercado sofra uma forte
batida eu não ficaria surpreso com mais uma tentativa de retomada
do movimento de alta, talvez a derradeira.
Em WS os volumes, diferentemente daqui, estão fracos e as divergências
negativas estão se acumulando visivelmente, tanto no diário
quanto no semanal. O volume é mais fraco na carteira do DJIA.
Os sub-setores do SPX permanecem bastante desalinhados. Enquanto que
até o final de dezembro do ano passado todos os sub-setores estavam
em alta sincronizada, atualmente tecnologia com 18,9% da capitalização
do SPX, bens duráveis com 11,6% e saúde com 12,6% (total
de 43,1%) não mais conseguem acompanhar o ritmo dos demais.
A força no SPX se concentra principalmente no setor de energia
(petróleo) com 8,0% da capitalização da carteira,
utilidades (água e eletricidade) com 3,1%, materiais também
com 3,1% e, com uma exuberância inferior, o de consumo varejista
(10,8%), totalizando 25,0%. Os setores financeiro com 20,7% e industrial
com 11,7% (total 32,4%) estão no meio do caminho, ou seja, entre
a mínima de janeiro de 2005 e a máxima de dezembro de
2004.
Portanto, vê-se que 43,1% estão com a língua de
fora e que apenas 25% estão em fase exuberante. Os restantes
32,4% estão em forma razoável. Visto por esse ângulo,
torna-se fácil entender porque o volume está baixo em
WS, ou seja, são poucos os setores que estão atraindo
fluxo de compra.
O único item que ainda não está perfeitamente
dentro do script de um topo é a pc ratio da ISE que atualmente
se encontra em status de neutralidade. Talvez seja necessário
o surgimento de um otimismo entre os operadores de opções,
menos que apenas moderado, para que todas as condições
de término de todo o movimento iniciado no final de 2002 estejam
presentes.
Juros e commodities em alta, lucros no topo do seu intervalo histórico
em relação ao PIB, queda do diferencial entre títulos
de 3 meses e 10 anos e com menor expansão do M2, definitivamente
não combinam com um cenário positivo para as ações.
Apesar disso, o mercado, embora cada vez mais vulnerável ainda
não revelou um sinal conclusivo de reversão, o que mostra,
segundo o meu julgamento, uma enorme complacência entre os investidores.
No entanto, aprendi que o mercado persiste no seu caminho até
que os menos convictos duvidem do óbvio e que os complacentes
aceitem como norma o irracional.
KingBear
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