|
Dane-se o Ombro-Cabeça-Ombro
MAI 31, 2006 Com o advento do microcomputador e da
rede mundial a distância entre o pequeno, mas esforçado
investidor, e as grandes corretoras diminuiu significativamente.
Aquela gigantesca estrutura existente nos bancos para a coleta e análise
de informações já não é tão
necessária se o objetivo do investidor se resumir em ganhar dinheiro
na bolsa, comprando somente papéis com beta igual ao do mercado.
Apesar das ferramentas disponíveis atualmente, a vasta maioria
dos pequenos investidores ainda não percebeu isso. Essa mensagem
serve como alerta de que é possível avançar e muito
em termos de compreensão do mercado, sem precisar falar com o
teu vizinho, com o teu corretor, ou assinar fajutas newsletters.
Obviamente que para um stock picking a estrutura acima mencionada é
vital, mas desnecessária para um pequeno investidor que quer
somente, dentro de um intervalo de risco aceitável, ganhar dinheiro
com papéis blue-chips (beta semelhante ao do mercado).
Até 5 anos atrás, sendo engenheiro de formação,
eu dominava inadequadamente os fundamentos macroeconômicos. Apesar
de ter construído um bom trading system (baseado na qualificação
do fluxo) que vigora até os dias atuais, eu me sentia desconfortável
por que ele não me fornecia as razões pelas quais o sinal
foi gerado e, portanto, eu não tinha muita noção
sobre a robustez da mensagem do modelo.
Estava cada vez mais claro para mim que mesmo empregando indicadores
proprietários sobre o fluxo, que não se encontram nos
manuais convencionais da análise técnica, que esse tipo
de aproach não fornecia a menor idéia sobre o que poderia
vir mais adiante.
Em outras palavras, a análise técnica, mesmo com o emprego
de técnicas mais avançadas, não vai te dar a menor
pista se vem ou não um caminhão pesado e sem freios ao
seu encontro depois da primeira curva ou se estamos diante do paraíso.
E essa sensação de insegurança poderá levar
você a se livrar de uma posição altamente vencedora
no futuro, ao menor trimilique do mercado.
Com uma boa noção de estatística, de tanto ler
sobre economia, e depois de 5 anos dedicados à montagem de modelos
matemáticos sobre as principais variáveis que influenciam
os preços, tais como, modelo sobre a precificação
do Bovespa, do risco-país, modelo sobre o PL (índice preço-lucro)
do Bovespa e do SPX (S&P 500), modelo sobre os indicadores antecedentes
dos lucros do SPX (leading indicator), modelo sobre os spreads corporativos,
entre outros, a insegurança na navegação nesse
mar bravio, que é o mercado, tornou-se uma atividade bem mais
amena.
As vantagens no emprego desses modelos podem ser resumidas em:
(a) consideram apenas as variáveis que são
indicadores antecedentes (leading indicators),
ou seja, aqueles indicadores que permitem você “enxergar”
lá na frente; (b)
filtragem do que vale a pena ser considerado e o que deve ser jogado
na lata de lixo nesse manancial de informações que recebemos
diariamente; (c) controle
do risco.
Como funciona um leading indicator? Por
exemplo, o número de habite-se na construção de
imóveis é um indicador que antecede a compra de materiais
de construção em alguns meses.
Se esse número sobe, ceteris paribus,
os lucros das empresas de material de construção deverão
subir meses adiante e, mais importante, antes da notícia sobre
os lucros vir à tona nos jornais.
Vou mostrar abaixo um desses modelos, mas obviamente não será
aberta a sua caixa preta. No entanto, servirá como exemplo para
o pequeno investidor de que é possível sim se equiparar
às grandes instituições e deixar de lado o ombro-cabeça-ombro,
que todo mundo vê e, portanto, não serve para quase nada.
No mercado, o que se torna público perde o seu valor, como o
O-C-O.
A curva vermelha no gráfico semanal acima mostra o Bovespa justo,
com base nas variáveis que determinam o preço da carteira,
tais como, lucros, dividendos, taxa Selic, expectativa inflacionária,
taxa de juros nos EUA e grau de apetite ao risco. Todas essas variáveis
estão contempladas na curva vermelha acima. O gráfico
de barras é o Bovespa semanal. O gráfico acima abrange
o período entre o 2° semestre de 2004 até a última
sexta-feira (26/05/06).
Observe que no início de 2005 um forte alerta de venda foi emitido
pelo modelo de precificação, pois enquanto o Bovespa subia,
o modelo “estolou” para depois mergulhar ladeira abaixo.
Três meses mais adiante (nesse tempo o pequeno investidor pode
se relaxar), o modelo mandou comprar novamente, quando a curva vermelha
ultrapassou os níveis da barra do Bovespa, mas agora em um nível
de risco bem mais aceitável.
No final de abril de 2006 novamente um forte alerta, agora de venda.
Tinha coisa esquisita acontecendo, pois enquanto o Bovespa subia, o
preço justo (curva vermelha) mergulhou na direção
Sul. Essas coisas esquisitas podiam ser conhecidas, pois bastava abrir
o modelo e checar quais as variáveis estavam provocando aquele
comportamento divergente da curva vermelha (o modelo de precificação)
e, feito isso, avaliar a gravidade da situação.
Como não se deve confiar plenamente em modelo algum, são
necessárias confirmações. E ela veio do SPX, quando
nos últimos 3 meses a deterioração da carteira
tornou-se visível demais. Estavam subindo os “micos”,
enquanto os papéis de qualidade perdiam fôlego (nesse ponto
a análise técnica ajuda muito).
Dois alertas, entre outros que não vou mencionar por falta de
espaço. Pronto, ora de despejar toda a carteira, de relaxar e
esperar nova entrada, mas em um ambiente de risco muito mais aceitável.
Candlestick? O-C-O? LT´s? Ok, até valem como sinais confirmatórios,
mas são técnicas do arco-da-velha. Se quiser ganhar dinheiro
de maneira consistente, o pequeno investidor terá que se preparar,
e muito.
KingBear
|