ABR 24, 2003Todos
aqui que já operaram compras e vendas no mercado sabem que uma alta
de +X% não recupera uma baixa de -X%. Isso não deveria
ser intuitivo? Pergunte por aí e a prática deve mostrar que não é.
Talvez pensemos que o mundo dos negócios seria mais simples se +10%
e -10% tivessem esse "efeito simétrico".
O mais cinco anula o menos cinco porque estamos no mundo das somas,
que é ligeiramente diferente do mundo dos produtos, onde estamos habituados
a usar os percentuais ditos alí. E no mundo dos produtos, quem "anula"
não é simétrico, é recíproco!
Mas o recíproco não anula, apenas converte para 1, e isso parece ser
o que queríamos lá em cima. Recíprocos são mesmo mais estranhos, zero
não tem recíproco (isso é um problema e tanto!), entre -1 e 1 residem
os recíprocos do resto inteiro dos números reais (resto ? inteiro ?
reais ?).
Deveria existir uma espécie de "chave" em nossas mentes que, ligada,
nos desse o poder de ver imediatamente coisas do tipo: -25,925% é a
taxa que anula +35%.
Voce olharia -37,5% com olhos de quem vê +60%, sem constragimentos,
pois se deseja saber quem "reverte" +60% não faz sentido aqui pensar
em -60%. Será que estamos mesmo achando que é mais difícil ter uma alta
de 60% que uma baixa de -37,5% simplesmente porque 60 é maior que 37,5?
Se você encontrou essa "chave", a igualdade de força que ela dá a esses
números diferentes pode estar querendo dizer algo com respeito a essa
última afirmação.
E se achou tudo isso muito complicado, sente-se pouco confortável em
usar, por que não trocar os percentuais pelo variação em reais?
Chave
Temos a "chave" que abre a porta onde estão guardados os segredos dos
recíprocos, um lugar onde somos capazes de enxergar que há uma certa
igualdade entre +60% e -37,5%. Se ainda não a possui, procure aí na
busca (por que? - 30/01/05). Vamos usá-la
agora para investigar de perto esse aposento, veja o exemplo:
Comprei algo por 0,08 (fichas?) e, logo após, o preço caiu 37,5%. Agora
o preço terá que subir 60% para que volte a valer 0,08.
Nada complicado, precisa subir exatamente o que caiu: 0,03.
Seria possível "diminuir a distância" do par (-37,5 ; +60), tornar esses
números mais próximos e manter o mesmo efeito "restaurador" ?
É possível recuperar-se de uma queda de 0,03 com uma alta menor que
esta? Existe essa "matemágica" ?
Bem, para recuperar-se, quem precisa subir exatamente o que caiu é o
seu capital e não o preço. A resposta será positiva se o montante
sobre o qual o par incide não for o mesmo, ou seja, se ele puder ser
alterado, uma estratégia reconhecida por quem faz preço médio.
Troquemos alí o "g" pelo "t" para investigarmos um modelo que, além
de alterar o montante, o faz de maneira a reduzir ou aumentar esse
valor sempre que você perder ou ganhar, respectivamente. Esta sutil
diferença para o PM (preço médio - 1 para 1 - comumente utilizado)
contribui para reduzir consideravelmente sua exposição. O modelo é usado
para determinar qual deve ser o tamanho de sua posição (position
sizing) em cada operação.
Suponha a seguinte trajetória de preços para o ativo que você comprou:
Partimos de 0,10 e chegamos ao mínimo em 0,05, mas só retornamos para
0,09, ou seja, prejuízo de 10% para quem comprou em [0] e não movimentou
mais. Como isso se comporta se usarmos GTP (Gerenciamento do
Tamanho da Posição) ?
Cada um dos seis pontos acima serão pontos de intervenção para regular
o tamanho da posição, o que implica dizer que dividimos nossa única
operação inicial em cinco trades:
compra
em [0], venda em [1], com queda de 20%;
compra
em [1], venda em [2], com queda de 25%
e assim por diante.
Iniciamos em [0] comprando o valor A0 = 3.000,00,
que corresponde a uma quantidade de 30k do ativo. Em [1] o ativo cai
20% e então finalizamos a primeira operação resgatando apenas 2.400,00
(prejuízo de 600,00). Neste mesmo ponto iniciamos a segunda operação
, nova compra, mas com A1 = 2.816,00 (35,2k do ativo).
Alguns pontos importantes a observar:
sua
nova posição é maior que os 2.400,00 da anterior, porém, menor que
a posição inicial de 3.000,00. É um resultado do fato da primeira
operação ter sido perdedora, como veremos adiante;
essa intervenção
equivale a promover um aumento de 416,00 na posição, ou seja, é um
ajuste que terá reflexo no preço médio, porém, o impacto é substancialmente
menor se comparado ao uso de PM;
cada operação é
considerada uma nova posição, não é relevante se é uma compra, uma
venda, ou ainda uma migração para outro ativo;
A tabela seguinte mostra a evolução do estudo para as demais
operações:
Op
A
= F * K
qtd
compra
venda
%
Rend
(R$)
0
3.000
30.000
0,10
0,08
20,00
600
1
2.816
35.200
0,08
0,06
25,00
704
2
2.604
43.400
0,06
0,05
16,67
434
3
2.475
49.500
0,05
0,07
40,00
990
4
2.772
39.600
0,07
0,09
28,57
792
A é o valor aplicado em reais;
qtd é a quantidade do ativo que foi comprada;
compra é o preço de compra;
venda é o preço de venda;
% é o percentual obtido na operação;
Rend é o rendimento da operação em reais;
Obs: os valores de A estão arredondados para contemplar
lotes inteiros em qtd. A diferença não é relevante para o estudo.
Reduzimos nossa posição (e nossa exposição) a medida que perdemos e
vice-versa, porém, a seqüência An não decai na mesma
proporção que o faria se não intervíssemos, é uma queda ligeiramente
mais lenta, ou seja, injeta-se mais capital no mercado. Ao contrário,
PM tenderá a aumentar sua posição e rapidamente.
Com os parâmetros que determinaram o An do exemplo
acima, para se perder metade do capital seriam necessárias 11 operações
perdedoras seguidas, cada uma com prejuízo de 20%. Você pode imaginar
como seria se estivesse usando PM nesse cenário ?
Mas de onde vieram aqueles valores da coluna A, como calcular
o tamanho de cada posição (An) ?
Se o seu capital total é K então A é diretamente proporcional
a ele. K é o capital total, portanto,
lucros e prejuízos de cada operação serão somados ao final de cada operação
(há variantes para o cálculo de K).
K0 = capital inicial K1 = K0 +
Rend0 (lucro/prejuízo da operação 0) K2 = K1 +
Rend1 (lucro/prejuízo da operação 1)
...
Se F é a constante de proporção:
A0 = F * K0 A1 = F * K1
...
F é constante, é a fração do seu
capital que será usada em cada operação. A tabela abaixo, agora completa,
é resultado da aplicação do GTP que foi utilizado no nosso estudo,
com os seguintes parâmetros:
K0 = 10.000,00 F = 30%
Op
K (R$)
A
= F * K
qtd
K+rend
compra
venda
%
Rend
(R$)
0
10.000
3.000
30.000
9.400
0,10
0,08
20,00
600
1
9.400
2.816
35.200
8.696
0,08
0,06
25,00
704
2
8.696
2.604
43.400
8.262
0,06
0,05
16,67
434
3
8.262
2.475
49.500
9.252
0,05
0,07
40,00
990
4
9.252
2.772
39.600
10.044
0,07
0,09
28,57
792
K é o capital total disponível, em reais, antes da operação
ser iniciada;
K+Rend é o capital total disponível, em reais, após a operação ser
fechada;
Os demais itens seguem a legenda da tabela anterior. A mesma observação
aplica-se aqui.
Considerações Finais
O GTP protege seu capital em um cenário de quedas sucessivas.
O GTP permitiu que uma queda de 0,05 unidades fosse recuperada
(um pouco mais até) com uma alta de 0,04 unidades, com pequeno aumento
de sua exposição. Outro valor para F pode melhorar essa relação
?
Matemática x Matemágica
Para o modelo, utilizar F de 100% significa investir todo o capital
disponível em cada operação que se monta. É para esse F que os
percentuais do par (-37,5 ; +60) são "iguais", o F é a "chave"
que nos faz vê-los assim. Se usar 30% para F a "chave" muda,
o par torna-se ( -37,5 ; +48,39), ele tem o poder de "aproximar"
os percentuais que se "anulam". Pense nas implicações disso.
O par ficará cada vez mais "proximo" a medida que diminuírmos F,
com a "igualdade" ocorrendo para F nulo, que seria a "última
chave". Não há como transformar expectancy
negativa em positiva.
Artigo desenvolvido pelo forense Ncrab sobre Gerenciamento do Tamanho
da sua Posição.
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