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JAN 20, 2004 O Risco Brasil é uma tentativa de quantificar o risco de se investir no país. Este risco é expresso em pontos ou em taxa ao ano, dado pela diferença entre o que se recebe para investir no Brasil (através de seus diversos títulos) em relação aos títulos do tesouro dos Estados Unidos, considerados os ativos mais seguros do mundo. Tome como exemplo o investidor internacional comprando um título
da dívida externa do Brasil no mercado internacional. Desta forma,
quanto maior for esta medida, maior o risco percebido e maior são
os retornos requeridos para se aplicar em ativos do país. Há pouco tempo o título de maior liquidez era o C-Bond, e é baseado nele que redigimos este artigo. Quando os investidores acreditam que as perspectivas da economia brasileira são boas, pagamos juros menores. Quando são ruins, pagamos juros maiores. Por isso, os juros pagos pelo C-Bond são uma boa medida de risco país. Mas, como avaliar se os juros são altos ou baixos? O mercado compara a taxa paga pelo C-Bond com a taxa que remunera os títulos da dívida pública dos Estados Unidos, ou Treasuries, consideradas livre de risco. Dessa forma, o Spread Over Treasury do C-Bond é a diferença entre os juros pagos por ele e os juros pagos pela Treasury de mesmo prazo. Quanto maior a diferença (ou spread) maior o risco Brasil. Esse spread é medido em pontos básicos. 100 pontos básicos = 1%
O risco é determinado levando-se em consideração diversos indicadores financeiros e políticos do país, tais como déficit fiscal, crescimento da economia, solidez das instituições, etc. Manchete dos jornais (06/2002):
Qual o significado disto? É um número que mede o nível de desconfiança ou risco dos mercados financeiros em relação aos países emergentes, calculado pelo banco de investimentos americano JP Morgan (índice Embi+) e abrange 21 países:
No caso brasileiro, tem como base um conjunto de títulos que circulam no mercado secundário da dívida externa brasileira, com destaque um título do governo, o C-Bond. Índice EMBI Emerging Markets Bonds Índex, ou Índice de Títulos dos Mercados Emergentes - grupo em que o Brasil esta incluído. O nível de risco de um país mostra a certeza ou falta de certeza, que os investidores internacionais têm de que um país vá honrar seus compromissos. Quanto mais alto for este número, maior será a possibilidade deste país vir a dar um calote na dívida. Isto afasta os investidores, logo o país terá de oferecer juros mais altos para convencer os investidores a comprar seus títulos - é um prêmio pelo risco. Com esse número: 1.770 pontos, para os investidores estrangeiros
o Brasil tornou-se o segundo país mais arriscado do mundo. Na prática significa tomar dinheiro emprestado, com a promessa
de pagar em 15 anos, pagando a cada ano, juros de 13% . Aquele título de US$ 1 milhão da dívida brasileira estava sendo negociado por US$ 558 mil.
Agora vamos aos cálculos: Ao final do prazo quem comprou o título receberá os US$ 130mil /ano, sobre os US$ 558 mil, logo (130/558)*100=23%, é de quanto será o rendimento em números redondos, que corresponde aos 17,7 pontos acima do título americano de 5,3%( 5,3 + 17,7=23%). O risco da Argentina estava em 5.942 pontos ( 19/06/02) significando
59,42 + 5,3 = 64,72 % de juros sobre um título da Argentina para
compensar o risco do comprador. Danos que a divulgação deste
índice causa ao Brasil
Bibliografia: SARDENBERG, Carlos A. Não há risco de calote. De onde vem o medo? O Estado de São Paulo, 24 de jun. 2002, p.B2. MACEDO, Roberto. O JP Morgan e seus estragos. O Estado de São Paulo, 5 de dezembro de 2002, p.A2. Folha dinheiro. Folha de São Paulo, 15 de jun. 2002, p.B1. Folha de São Paulo, 26 de jun 2002, p.B1
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