MAR 25, 2002Resolvi
escrever esta breve passagem hoje á tarde, quando insistia em
mostrar quando vale ou não a pena comprar opções
e considera-las somente um jogo levando em consideração
unicamente a relação custo / benefício, sem utilizar
nenhuma técnica conhecida.
Simplesmente jogar!
No inicio da década de 90 Telebras não valia rigorosamente
nada. Era negociada em balcão por aquele pessoal que anunciava
em jornais e em cartazes pelas cidades, e que comprava as ações
dos que adquiriam linhas telefônicas, e recebiam ações
das Companhias.
Era assim também com Eletrobrás, que durante muitos anos
foi negociada com as contas de luz e trocadas por ações.
Nosso caso é Telebrás.
Com a derrocada das Bolsas, pela crise Nahas, e já no governo
Collor, começaram a ganhar liquidez as ações preferenciais
da Telebrás.
Por volta de 1992/93 Itamar presidente, FHC ministro da Fazenda e
SERJÃO empenhado na campanha do amigo, tinha nas ações
e principalmente opções da Telebrás, uma forte
aliada.
Não posso entrar no mérito do modus operandi pois essas
coisas só se escrevem 100 anos depois de ocorridas, ou quando
eu for desta para melhor, talvez alguém publique. Falar é
uma coisa, escrever é outra.
Com Telebrás ganhando liquidez e suas opções a
todo vapor,me lembro da primeira operação, que fiz com
o papel a 0,50 (cruzeiros reais, se não me engano). Como hoje,
comprava, subia, vendia, comprava de novo, pois o raio do papel nessa
fase só subia e assim íamos vivendo.
Quero me ater em uma série de opções com o papel
na faixa de 5,00 e opções, chamadas OTC sendo negociadas
para exercícios de 6,00; 7,00; 8,00 etc. pois havia inflação
alta.
A bordo desse barco e já com privatização sendo
anunciada e noticia vai, noticia vem, o papel oscilando uma barbaridade,
resolvemos comprar a OTC com exercício a 8,00 por 0,30. Como
a "intuição" era forte comprei 50 milhões
da OTC a 0,30 gastando 15 mil moedas.
Telebrás subiu, vendi 10 M a 1,00. Subiu mais, vendi 10M a 2,00,
mais um pouco e 20M a 4,00 "zerando" o lote. Embolsei uma
boa grana e como estava muito cansado mesmo resolvi viajar um pouco,
pois era temporada de férias e fomos todos passear.
Passaram-se 40 dias e de volta à luta, peguei o extrato na corretora
e verifiquei que havia 10 milhões de Telebrás, que não
me pertenciam, e pedi ao gerente para encontrar o erro e transferir
para quem de direito o papel. Não demorou muito e veio a informação
de que eu realmente possuía os 10 milhões de Telebrás,
que o operador zelosamente exercera a 8,00, e que eram referentes a
"aquelas" opções que eu havia comprado a 0,30
e pensei ter liquidado a posição.
Só tinha vendido 40. Alem disso, o dinheiro costumava ficar
no "over" da corretora, e foi muito natural, eu ter deixado
10 milhões de opções para serem exercidas a 8,00
quando o papel já estava cotado a 32,00.
Resumindo, a opção que foi comprada a 0,30 valia no exercício
24 moedas da época. É claro que desde então, vivi
muito tempo lançando opções de telebrás
em cima desses 10 M de papel á vista, mas um dia fui exercido
e o papel chegou a 180 moedas, mas isso é outra historia.
A moral da historia, para mim ficou sendo que para ganhar muito com
opções, só com muita sorte, e descuido, pois se
continuasse acompanhando o dia a dia e verificasse que tinha 10M de
OTC, certamente teria vendido a 6 ou 7 moedas.
Agora, eu pergunto: Quem de nós operando diariamente e lutando
para ganhar quantias compensadoras, retém uma opção
em carteira, vendo a mesma subir e dobrar, decuplicar geometricamente
e não realiza um lucro de 100% ou 200% que seja. É esse
o ponto a que quero chegar.
Uma ocorrência dessas é muito remota e acontece uma vez
na vida outra na morte e o pior é que, quem atua no dia a dia
não espera e não pode mesmo esperar um Milagre desses
acontecer todo dia e embolsa o primeiro lucrinho que aparece, como é
o correto fazer.
Assim, é por isso que não espero, nem nunca esperei fazer
fortuna comprando opções na ilusão de tirar a sorte
grande.
Tenho certeza que 99,9% de quem opera opções sem ser insider,
livra-se delas quando acha que o lucro está de bom tamanho, e
isso é o correto.
Não conheço ninguém, que por iniciativa própria
tenha comprado uma opção a 0,30 e vendido a 24. Só
mesmo um descuidado e cansado especulador meia boca consegue. Ou então
aquelas lavadeiras que acertavam sozinhas as quinas da Loto antigamente.