SET 03, 2003Década
de 80. Milagre a caminho, pois o mundo se recuperava do Choque do petróleo
e a conseqüente alta nas taxas de juros Americanas, que chegaram
a 22%aa. Os comandantes da política econômica eram, na
minha opinião os mais brilhantes que tivemos, pelo menos que
eu tenha conhecido.
Mario Henrique Simonsen, Roberto Campos, Antonio Delfim Neto, Ernani
Galveas, que, em que pese estarmos vivendo um período de exceção,
pois havia uma ditadura instalada, conseguiram dinamizar o mercado financeiro,
que é a parte que me toca mencionar.
Nas Bolsas de Valores, ainda não se negociavam opções,
o que logo viria, mas para alavancar eram utilizados os Termos e Futuros.
Nosso grupo era muito bom em fundamentos, e sempre havia onde garimpar
empresas sub-avaliadas, e num desses garimpos surgiu Siderúrgica
Riograndense.
Análises concluídas, estratégia montada, balanços
prestes a serem divulgados resolvemos fazer alguns termos do papel.
Que grande tacada, aquela (foi nessa Pimon?).
O papel disparou a subir e só parou 10 vezes acima do primeiro
negócio. Estávamos bem alavancados e ganhamos 800.000
dolares.
Porém, ai, porém ...
Passaram-se alguns dias, e como de praxe, tivemos outra oportunidade
de Ouro. Ouro Negro. Petrobrás, era a dica quente.
O ministro das Minas e Energia na época era o Shigeaki Ueki
(o japonesinho do Geisel) que prometia auto-suficiencia em petróleo
no final da década, pois as prospecções eram animadoras
e prometiam trazer á superficie os trilhões de barris
que jaziam por lá.
Prometeu se fantasiar de barril e desfilar na Av. Paulista, caso não
fosse cumprida sua promessa.
Nosso grupo era, como sabem, muito bem informado e diante desse quadro
promissor resolvemos colocar nosso dinheiro em contratos futuros de
Petrobrás. Acabávamos de ganhar aqueles dólares
todos, e estávamos com o moral lá em cima.
Sexta feira, o mercado na época só funcionava até
as 13 horas, tratamos de aproveitar a parte da manha para fazer os futuros
da Petro. Fizemos bastante. Muito mesmo.
A coisa estava tão quente, que o Presidente João Figueiredo
anunciaria a noite a descoberta de UMA PROVINCIA PETROLIFERA
gigantesca, se não me engano no Acre e Amazonas. Estava feito!
Almoçamos, ficamos até tarde conversando e já fazendo
planos para o ganho que viria e cada um dos amigos, resolveu seguir
para seu fim de semana com a família, como de costume.
Sexta feira, que fim de semana que nada, cada um recolheu-se tentando
disfarçar a ansiedade, e aguardar a Boa Nova da maneira mais
discreta possível. Passou a tarde, de forma lenta e angustiante,
rádios ligados, e nada. Uns mais ansiosos procuravam telefonar
para os mais seguros e confiantes, mas àquela altura, quem tinha
nervos para segurar a ansiedade do outro?
Restava o Jornal Nacional. Ultima esperança de um bando de especula-dores
ávidos pela confirmação da noticia, que os tornaria
mais ricos.
DEU AGUA!!!!!!
É. A tal provincia, cuja precipitada avaliação,
pela pressão apresentada, era AGUA. H2o. Muita água!
A vaca tinha ido para o brejo e se atolou até os chifres! Perdemos
todo o lucro da Riograndense, mais 400.000 dolares, divididos irmamente,
entre os desafortunados gananciosos, que ficaram com cara de ... de
... SHIGEAKI UEKI , pronto!!!!!!!